Quanto de nós há em nós mesmos?
Já é sabido que nossa personalidade é formada a partir de diversos estímulos,
desde genéticos até pelas situações vivenciadas. Porém, muitas vezes esses
estímulos não parecem convergir, ao invés, parecem ser protagonistas de um
sarcástico conflito.
Existe um leque de situações socialmente aceitas,
mas há algumas mais exaltadas que outras, principalmente se assim forem feitas
por pessoas importantes em nossas vidas. Dessa maneira a opinião dos pais, por
exemplo, sobre as condutas ou sobre as escolhas que devem ser tomadas por um
indivíduo podem ser determinantes, mesmo que inconscientemente, para aquilo que
esse indivíduo entende como “eu”. Contudo, não necessariamente, esses estímulos
externos à formação da personalidade vão de encontro ao impulso individual frente
às situações encontradas no percurso da vida. O grande problema é que a
percepção desse impulso pode se dar em um momento diferente da ação dos
estímulos externos.
A percepção do indivíduo sobre seu “eu” ocorre
quando este adquire um grau de liberdade tal que lhe confere a oportunidade de
analisar o mundo pela sua própria ótica. Até então, age como verdadeira
marionete das convenções sociais impostas, direta ou indiretamente, as quais
têm influência direta sobre suas escolhas. Quando percebe, então, que seu
impulso individual diverge do que foi escolhido para si torna-se prisioneiro de
um conflito cruel, a necessidade de encaixar um “eu” num mundo preparado de
“vocês”, dando à luz à agonia da insatisfação.
Insatisfação esta companheira da humanidade e
inerente à vida. Se desejamos seguir outro caminho que não aquele tido como
correto seremos tidos como estranhos, mas se vamos de encontro ao que foi
esperado de nós e descobrimos que diverge de nossa vocação perderemos nossa
identidade. Além disso, se tudo convergir, a vida perde o sentido, pois não
haverá a satisfação momentânea pós-insatisfação e o depois perderá o motivo de
existir numa vida centrada no agora.
Pela manutenção da vida a humanidade segue
insatisfeita e segue produzindo doutores que queriam ser músicos e músicos que
queriam ser doutores. A sociedade exige exatamente o contrário do que a
felicidade. Seguimos sendo e querendo
ser o que não somos.

Ao ler me veio a mente muitas situações do cotidiano. Mas o que me preocupa são aqueles que acham que se libetaram e por isso passam a fazer uma análise sob a sua ótica distorcida. Às vezes comparo alguns comportamentos sociais humanos com alguns comportamentos sociais de outras espécies de animais e sinceramente não vejo diferença. Outras vezes vejo claramente o esforço humano em se diferenciar dos demais animais como uma fuga ou negação da sua própria natureza, e pior, não como forma de evolução do pensamento. Daí talvez alguns comportamentos ditos civilizados serem incompatíveis com a existência humana. Destruímos nosso próprio planeta e onde queremos chegar com isso? Ou qualquer que fosse o ocomportamento chegaríamos no mesmo lugar?
ResponderExcluirÉ um bom ponto de vista, a humanidade, de fato, está fadada à autodestruição, seja em âmbito coletivo ou até pior, no indivudual!
Excluir