segunda-feira, 30 de julho de 2012

"Marcha das vadias"


O nome “Marcha das vadias” é impactante, mas se for esse o objetivo é extremamente válido. Ainda mais se acompanhado pela frase que segue o movimento “Não é sobre sexo, é sobre preconceito”, preconceito que, sem dúvida, é a maior bandeira da ignorância.  As mulheres realmente têm de  alcançar a igualdade plena a qual não deveria nem ser batalhada mas inerente a elas pelo simples fato de serem cidadãs.
Essa luta por igualdade, no entanto, nos faz pensar por outro lado, a faceta animal que talvez seja a base fisiológica para o machismo, fomentado pelas próprias mulheres. Sim, seres humanos são animais e mulheres são seres humanos. Evolutivamente os seres de ambos os sexos tendem a escolher parceiros (as) que lhe proporcionarão a melhor prole, aquela que dará continuidade à espécie, logo, não é de se estranhar que as mulheres sintam-se atraídas por rapazes bonitos, fortes, protetores, viris, entre outros adjetivos. Mas, tudo na vida é feito de escolhas ( o clichê é válido aqui), ainda mais no mundo competitivo como o atual, de modo que para atingir o patamar de força exigido pelas mulheres  é necessário quase que abdicar de atividades intelectuais. QUE ABSURDO!!! Como ousa falar isso?Temos tantos exemplos de caras bonitões e inteligentíssimos, basta olhar alguns médicos por exemplo.
Seres humanos são animais, alguns animais são cavalos e alguns seres humanos são médicos. Cavalos! Fortes, bonitos, imponentes e perfeitamente adestrados. Alguns seres humanos são burros que à semelhança do pedrês não possuem a mesma badalação, muitas vezes são alvo de gozação mas possuem inteligência que salva vidas. Cavalo-burro não existe, assim como a associação simples e direta entre inteligência , cultura, moral e ética com diploma.
Desse modo, as mulheres buscam em seu meio os mais cavalos, mesmo que inconscientemente, mesmo que não admitam, o instinto fala mais alto. Fazem uma seleção natural da inteligência. As mais desavisadas devem se questionar: mas e os homens, são pobres coitados nessa história? Os seres do sexo masculino quanto animais optam por aquelas que seriam uma boa cuidadora da prole, que teriam condições de dar à luz e cuidar dos filhotes na infância. Mas a partir do momento que a sociedade evolui e o conceito de cidadania vem à tona, ambos os sexos são (ou deveriam ser) colocados em igualdade de direitos e deveres. A mulher sai pra caçar e o homem volta pra cuidar. Os dois juntos são responsáveis por tudo.Dessa maneira, o homem não escolhe mais a cuidadora mas sim aquela que será capaz de dividir as responsabilidades.
Cavalos escolhem éguas. Éguas fortes, bonitas, imponentes e perfeitamente adestradas. Seleção natural bilateral da inteligência humana.De uma sociedade primitiva em que mulheres ficavam em casa e os homens trabalhavam e proviam o sustento, as mulheres, pelo primitivismo inerente a nós como animais, ao buscar e lutar por igualdade de direitos escolheu os mesmos homens-cavalo de antes e estes, por serem homens-cavalo, escolheu mulheres-égua que acreditam ter alcançado algum direito mas são marionetes de uma sociedade machista formada e fomentada por elas e por isso a reivindicação por igualdade está fadada a não acabar.
As mulheres cultas e inteligentes em ascensão pela evolução da sociedade deveriam optar por homens de mesmo tipo, que não só dividirão as responsabilidades mas serão amigos o suficiente para buscar algo mais elevado. Essa deverá ser a luta das mulheres, uma “Marcha contra as vadias”, as vadias que as colocam sempre na necessidade de lutar por igualdade.

domingo, 8 de julho de 2012

Prisioneri


Quanto de nós há em nós mesmos?
Já é sabido que nossa personalidade é formada a partir de diversos estímulos, desde genéticos até pelas situações vivenciadas. Porém, muitas vezes esses estímulos não parecem convergir, ao invés, parecem ser protagonistas de um sarcástico conflito.

Existe um leque de situações socialmente aceitas, mas há algumas mais exaltadas que outras, principalmente se assim forem feitas por pessoas importantes em nossas vidas. Dessa maneira a opinião dos pais, por exemplo, sobre as condutas ou sobre as escolhas que devem ser tomadas por um indivíduo podem ser determinantes, mesmo que inconscientemente, para aquilo que esse indivíduo entende como “eu”. Contudo, não necessariamente, esses estímulos externos à formação da personalidade vão de encontro ao impulso individual frente às situações encontradas no percurso da vida. O grande problema é que a percepção desse impulso pode se dar em um momento diferente da ação dos estímulos externos.

A percepção do indivíduo sobre seu “eu” ocorre quando este adquire um grau de liberdade tal que lhe confere a oportunidade de analisar o mundo pela sua própria ótica. Até então, age como verdadeira marionete das convenções sociais impostas, direta ou indiretamente, as quais têm influência direta sobre suas escolhas. Quando percebe, então, que seu impulso individual diverge do que foi escolhido para si torna-se prisioneiro de um conflito cruel, a necessidade de encaixar um “eu” num mundo preparado de “vocês”, dando à luz à agonia da insatisfação.

Insatisfação esta companheira da humanidade e inerente à vida. Se desejamos seguir outro caminho que não aquele tido como correto seremos tidos como estranhos, mas se vamos de encontro ao que foi esperado de nós e descobrimos que diverge de nossa vocação perderemos nossa identidade. Além disso, se tudo convergir, a vida perde o sentido, pois não haverá a satisfação momentânea pós-insatisfação e o depois perderá o motivo de existir numa vida centrada no agora.
Pela manutenção da vida a humanidade segue insatisfeita e segue produzindo doutores que queriam ser músicos e músicos que queriam ser doutores. A sociedade exige exatamente o contrário do que a felicidade.  Seguimos sendo e querendo ser o que não somos.