quarta-feira, 13 de junho de 2012

O que te torna egoísta?




“Você acredita que o medo pode deixar as pessoas mais egoístas?” – Carmem, personagem de Leandra Leal no filme Estamos juntos.

medo é uma sensação que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente.

Egoísmo ( ego+ ísmo) é o hábito ou a atitude de uma pessoa colocar seus interesses, opi
niões, desejos, necessidades em primeiro lugar, em detrimento (ou não) do ambiente e das demais pessoas com que se relaciona.

Assisti a um filme interessante, Estamos Juntos, com a Leandra Leal, o filme fala sobre uma jovem médica residente de cirurgia que mora sozinha em São paulo, e tem poucos amigos, além de uma relação um tanto quanto distante destes. Ela acredita que tem uma vida estável e é, até certo ponto, equilibrada emocionalmente, até descobrir que está com um tumor no cérebro. Isso passa a atrapalhar sua vida profissional e ela é afastada do hospital onde trabalha. 
Não vou falar do enredo inteiro do filme, mas o recomendo. O que me chamou atenção nessa frase do início do texto , sobre egoísmo, foi que eu não tinha associado o isolamento da personagem com egoísmo. Eu considerei dificuldade de relacionamento, falta de tempo por causa da profissão, entre outras coisas mas não pensei que o egoísmo está por trás disso, e muito menos que o medo nos torna pessoas mais egoístas. 
Medo de que? Medo de ser comparado,criticado ou não ser aceito. Medo de se expressar e não ser compreendido, ou pior, de parecer tolo e ser feito de idiota. Medo de apostar nossas fichas numa relação, correndo o risco de se apegar a  alguém que vive muito bem sem nossa presença. Medo de mostrar nossos objetivos e planos e depois não conseguir alcançá-los, ilustrando o fracasso que muitos nos desejariam.
Podemos caracterizar como egoísmo a decisão de se manter distante, sem o risco de ser criticado, julgado ou magoado, sem promessas e sem  frustrações? 
Como dizia Schopenhauer querer é essencialmente sofrer, e ter medo de sofrer, ou cansar-se de passar repetidas vezes por situações que vão degradando nossa fé nas pessoas pode nos fazer agir dessa forma sim. Não por maldade, não com a intenção de ser superior aos outros ou fazê-los sofrer, mas como um mecanismo de defesa. Em alguns casos a confirmação da morte de nossa fé nos outros, em outros uma última tentativa de salvar nossa alma da perda total da esperança. 
Abençoados sejam aqueles que têm fé nos outros e na vida, que acreditam no romantismo e não se fecharam para o mundo após as decepções. Gosto de acreditar que esse desejo de isolamento seja passageiro, que esse egoísmo seja uma das fases da maturidade, que depois de um tempo passamos a ser mais seletivos e não nos surpreendemos mais tão negativamente com as coisas, porque sabemos onde pisamos. E se for pra ter alguma surpresa, será por algo bom, que é bem mais raro. 
          Lembrando que eu estou falando de uma faceta específica do assunto. E que o egoísmo é um defeito, existindo pessoas que são egoístas de nascença, e não têm um bom caráter, passando por cima dos outros descaradamente, sem culpas. Também gostaria de entrar na parte boa do filme, quando ele mostra nossa necessidade de contato com os outros e o bem que isso pode nos fazer, entretanto, medo e egoísmo já são assuntos complexos o bastante por hoje, quem sabe em um momento mais otimista eu fale do outro lado da moeda. 

terça-feira, 12 de junho de 2012

Feliz dia dos namorados!



Para alguns um dia comercial, para outros uma data especial, de comemoração, de celebração do amor. Fato é que em várias partes do mundo pessoas comemoram das mais diversas formas o dia de hoje. Cadeados se fecham, desejos são feitos, cartões são escritos, palavras são ditas e, amanhã, relacionamentos são terminados. É bem verdade que o dia 13 de junho não é tão propício para o fim de namoros, mas tomemos o “amanhã” como qualquer outro dia 13. Amanhã, tudo o que foi sufocado pelo egoísmo hipócrita, imperativo em muitas relações , aflorará e os cadeados se abrirão, os planos se quebrarão, os cartões virarão palavras e as palavras simples cartões.

Hoje deveria ser uma data de reflexão. Um momento para que nada do que fosse dito ou feito corresse o risco de se tornar uma simples lembrança. As pessoas se acostumaram a viver o momento intensamente, verdadeiramente, aquele segundo, sem se preocupar com o que aquilo representará, como se fosse idôneo lançar um “eu te amo” e amanhã dizer “eu te amei”, uma leitura inteligente de Vinicius mas, talvez, maldosa com o próximo. Isso porque, se existe alguém que acredita no amor como algo imutável, uma flor que brota em um único coração pra jamais morrer, esse alguém está fadado ao sofrimento.

A sociedade elegeu o amor mutável como definição para esse sentimento. Basta observar para quantas pessoas diferentes já desfilamos nosso amor e o quão deve ser considerado normal o nosso amor, num dia 13, desfilar em mão alheias. E mais, o quão humanos nos sentimos ao ver nossas lágrimas enxugadas por outras mãos, numa remissão insana da ferida outrora aberta em nossa alma. O amor verdadeiro, atualmente, é aquele que satisfaz a necessidade até a necessidade de um novo amor.

Sejamos sinceros uns com os outros!Falemos quando não gostarmos mais, afinal, o que importa é encontrar alguem que nos faça feliz e não abrir mão do que for necessário pra fazermos parte de um casal feliz. A vida a dois há tempos não é mais valorizada, o casamento é uma instituição falida. A surpresa é encontrar cada vez mais cedo a derrocada dos relacionamentos. Hoje não existem casais, existem duplas. Duas linhas paralelas num egoísmo infinito e natural, um mecanismo de defesa, o que nos leva a crer que todas as demonstrações de carinho são, na verdade, demonstrações de amor próprio e é justamente quando esse amor próprio é ferido que os relacionamentos acabam. Acabam! E tudo o que foi vivido torna-se memória normal.

O amor é normal e o egoísmo é saída para o sofrimento. “Que seja eterno enquanto dure”.Feliz dia dos namorados! Expressão maior do Romantismo no mundo moderno.